O Ministério da Saúde informou nesta sexta-feira (30) que o vírus Nipah, responsável por dois casos confirmados recentemente na província de Bengala Ocidental, na Índia, possui baixo potencial pandêmico e não representa risco para a população brasileira. A avaliação é a mesma divulgada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em entrevista coletiva realizada no mesmo dia.
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De acordo com a pasta, o último caso confirmado foi diagnosticado em 13 de janeiro. Desde então, foram identificados 198 contatos das pessoas infectadas. Todos passaram por monitoramento e apresentaram resultados negativos nos testes para a doença.
“Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais”, esclareceu o Ministério da Saúde.
Vigilância no Brasil
O ministério destacou que o Brasil mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições como:
🧪 Instituto Evandro Chagas;
🏥 Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz);
🌎 Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Esses mecanismos permitem a rápida detecção e resposta em caso de eventuais ameaças sanitárias internacionais.
Histórico do vírus Nipah
O vírus Nipah já foi identificado outras vezes no Sudeste Asiático. Segundo a OMS, ele foi descoberto em 1999, durante um surto entre criadores de porcos na Malásia, e é detectado com frequência em Bangladesh e na própria Índia.
Origem zoonótica
Consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, o professor Benedito Fonseca, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP), explicou à Agência Brasil, que a incidência do vírus na Índia está relacionada à presença de uma espécie específica de morcegos, que atuam como hospedeiros naturais do vírus, caracterizando-o como zoonótico.
Esses morcegos se alimentam de frutas e de uma seiva doce que também é consumida por seres humanos e animais domésticos, favorecendo a transmissão. Há ainda relatos de contágio por meio de secreções de pessoas infectadas.
“Os vírus [zoonóticos] normalmente têm uma relação muito íntima com o seu reservatório. E esse morcego tem uma distribuição grande na Ásia, mas não tem distribuição nem na Europa nem nas Américas. Acredito que o potencial pandêmico, de uma distribuição no mundo todo, é pequeno”, avaliou Fonseca.
Avaliação internacional
A OMS reforçou que, apesar da gravidade da infecção em casos individuais, o risco de disseminação global é limitado, sobretudo pela ausência do hospedeiro natural fora da Ásia e pelo controle rápido dos focos registrados.
Por Bárbara Antonelli








