Uma pesquisa conduzida por cientistas espanhóis desenvolveu uma terapia combinada de medicamentos capaz de eliminar completamente tumores pancreáticos em testes com camundongos. Além de provocar a regressão total dos tumores, a estratégia também impediu o desenvolvimento de resistência ao tratamento, considerado um dos principais desafios da oncologia moderna.
Curta, siga e se inscreva nas nossas redes sociais:
Facebook | X | Instagram | YouTube | Bluesky
Sugira uma reportagem. Mande uma mensagem para o nosso WhatsApp.
Entre no canal do Revista Cariri no Telegram e veja as principais notícias do dia.
O estudo foi publicado na revista científica PNAS em dezembro de 2025 e foi liderado por Mariano Barbacid, diretor do Grupo de Oncologia Experimental do Centro Nacional de Pesquisa Oncológica da Espanha (CNIO).
Os resultados indicaram que os tumores desapareceram em diferentes modelos de camundongos entre três e quatro semanas. Mesmo após mais de 200 dias sem tratamento, os animais permaneceram livres da doença e não apresentaram sinais de toxicidade associados à terapia.
🔬 Como funciona a nova terapia
A estratégia terapêutica reúne três compostos que atuam de forma combinada na interrupção do crescimento das células tumorais.
• Um dos medicamentos é direcionado ao oncogene KRAS, considerado o principal fator associado ao câncer de pâncreas;
• Os outros dois atuam sobre as proteínas EGFR e STAT3, envolvidas em vias de sinalização essenciais para a progressão tumoral.
Segundo os pesquisadores, a combinação dos três alvos impediu que as células desenvolvessem mecanismos de adaptação, um fenômeno comum que costuma levar à falha de muitos tratamentos oncológicos.
🧠 O que é o câncer de pâncreas
O pâncreas é um órgão localizado na região intra-abdominal, atrás do estômago, entre o intestino delgado e o baço. Ele é responsável pela produção de insulina e de enzimas que auxiliam na digestão de gorduras. Anatomicamente, é dividido em cabeça, corpo e cauda.
O câncer de pâncreas costuma evoluir de forma silenciosa nos estágios iniciais. Em fases mais avançadas, a localização do tumor pode provocar sintomas variados, como dor abdominal, icterícia e perda de peso. O tipo mais comum é o adenocarcinoma, responsável por mais de 90% dos casos.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), por ser de difícil detecção e apresentar comportamento agressivo, o câncer de pâncreas possui alta taxa de mortalidade.
No Brasil, excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença ocupa a 14ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes. Ela representa cerca de 1% dos diagnósticos e responde por aproximadamente 5% das mortes por câncer no país.
Em números absolutos, o Inca estima que, em 2020, a doença tenha causado a morte de 5.882 homens e 6.011 mulheres, sendo o 7º câncer mais letal entre homens e o 5º entre mulheres.
🔮 Perspectivas futuras
Apesar dos resultados promissores em laboratório, os pesquisadores destacam que o próximo passo será o refinamento das substâncias, para que possam ser testadas com segurança em ensaios clínicos com humanos.
O estudo ainda se encontra em fase experimental. No entanto, o sucesso da regressão tumoral sem o auxílio do sistema imunológico indica que a terapia pode ser eficaz mesmo em pacientes com imunidade comprometida.
A equipe responsável reconhece que o processo de adaptação da terapia para uso clínico “não será fácil”, mas avalia que os achados abrem uma nova perspectiva para melhorar a sobrevida em uma doença historicamente associada a poucas opções de tratamento.
Por Heloísa Mendelshon









