O Março Lilás, campanha voltada à conscientização sobre o câncer de colo do útero, reforça a necessidade da prevenção e do diagnóstico precoce da doença. A iniciativa ganha ainda mais relevância diante de histórias como a de Marilene Rodrigues, 71 anos, moradora de Jaguaretama, que enfrentou a enfermidade e passou por uma cirurgia complexa no Hospital Regional Vale do Jaguaribe (HRVJ), em Limoeiro do Norte.
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Um alerta para a prevenção
Marilene descobriu o câncer em setembro de 2024 e, após exames, precisou ser submetida a uma exenteração pélvica total, procedimento que resultou na retirada da bexiga, útero, vagina, vulva e reto. O câncer de colo do útero é um dos mais comuns entre as mulheres e tem forte relação com a infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), transmitido pelo contato sexual.

Apesar das dificuldades, a agricultora mantém o otimismo. “Não está sendo nada fácil, pois vou ficar sondada para o resto da minha vida, mas estou muito feliz, pois estou me recuperando”, afirma. Ela também faz um apelo às mulheres: “Nunca deixem de fazer seus exames de prevenção. Se eu tivesse tido mais cuidado, teria evitado muita coisa e não teria sido algo tão sério como foi”, alerta.
Vacinação: principal forma de prevenção
De acordo com o oncologista Bruno Águila, do HRVJ, a vacinação contra o HPV é uma das estratégias mais eficazes na prevenção do câncer de colo do útero. O Ministério da Saúde recomenda a imunização para meninas e meninos de 9 a 14 anos, garantindo proteção contra os subtipos mais agressivos do vírus. Além disso, mulheres de 15 a 45 anos e homens de 15 a 26 anos que não completaram o esquema vacinal podem se vacinar, especialmente grupos prioritários, como pessoas vivendo com HIV/Aids, transplantados e pacientes oncológicos.
Além da vacina, o exame preventivo Papanicolau é fundamental para a detecção precoce da doença, permitindo a identificação de alterações celulares no colo do útero. Quando necessário, exames complementares, como colposcopia e biópsia, podem ser solicitados. “O tratamento varia conforme o estágio da doença e pode incluir cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, com altas chances de cura quando o diagnóstico é feito precocemente”, ressalta o oncologista.
Combate ao HPV e à desinformação
O médico também destaca que a vacinação contra o HPV reduz a incidência de outras neoplasias associadas ao vírus, além de diminuir sua circulação na população. “Trata-se de uma estratégia que beneficia tanto o indivíduo quanto a saúde pública”, enfatiza Águila.
A campanha Março Lilás reforça a necessidade de ampliar a cobertura vacinal, fortalecer a adesão aos exames preventivos e conscientizar sobre a importância da prevenção. “A luta contra o câncer de colo do útero depende da informação e do acesso aos serviços de saúde. A prevenção continua sendo a principal aliada na preservação de vidas”, conclui o especialista.
Por Fernando Átila