Um estudo de fase intermediária publicado nesta quinta-feira (4) revelou que o LSD pode reduzir sintomas de ansiedade em pacientes com transtorno de ansiedade generalizada. A pesquisa, conduzida pela farmacêutica Mindmed e divulgada no Journal of the American Medical Association (JAMA), abre caminho para testes adicionais e a possível aprovação médica do psicodélico, banido nos Estados Unidos desde a década de 1960.
Curta, siga e se inscreva nas nossas redes sociais:
Facebook | X | Instagram | YouTube | Bluesky
Sugira uma reportagem. Mande uma mensagem para o nosso WhatsApp.
Entre no canal do Revista Cariri no Telegram e veja as principais notícias do dia.
🔬 O estudo
A investigação envolveu quase 200 pacientes com quadros de ansiedade de moderada a grave. Eles foram divididos aleatoriamente em grupos que receberam quatro diferentes doses de LSD ou placebo.
• Meta principal: identificar a dosagem mais eficaz da substância.
• Resultado em 4 semanas: pacientes das duas doses mais altas apresentaram reduções significativas nos sintomas de ansiedade em comparação ao grupo placebo.
• Resultado em 12 semanas: 65% dos que tomaram 100 mg de LSD ainda apresentavam benefícios, e quase 50% foram considerados em remissão.
Os efeitos colaterais mais comuns foram alucinações visuais, náuseas e dores de cabeça.
📚 Contexto histórico
A utilização terapêutica do LSD não é novidade. Desde os anos 1950, pesquisadores publicaram artigos sobre o potencial da substância. Porém, grande parte desses trabalhos não atende aos padrões científicos atuais.
Frederick Barrett, diretor do Centro Psicodélico da Universidade Johns Hopkins, que não participou da pesquisa, afirmou: “Vejo este artigo como um passo claro na direção de reviver essa pesquisa antiga, aplicando nossos padrões modernos e determinando os reais custos e benefícios desses compostos.”
🌍 Psicodélicos em foco
O ressurgimento da pesquisa psicodélica vem ganhando força, com destaque para substâncias como:
• Psilocibina (presente em cogumelos alucinógenos);
• MDMA (ecstasy);
• LSD (ácido lisérgico).
A FDA já classificou essas substâncias como potenciais terapias “inovadoras”, mas o caminho até a aprovação não é simples. Em 2024, a agência rejeitou o MDMA como tratamento para TEPT, apontando falhas metodológicas e riscos de viés.
Metodologia diferenciada
Ao contrário de outros estudos com psicodélicos, que incluem longas sessões de terapia associadas à substância, a pesquisa com LSD da Mindmed utilizou um método mais simples:
• administração de uma única dose,
• acompanhamento supervisionado,
• sem sessões adicionais de psicoterapia.
Essa abordagem chamou a atenção dos especialistas, mas também levantou dúvidas. Segundo Barrett, a ausência de detalhes sobre preparação e acompanhamento dos pacientes dificulta a compreensão dos resultados:
“Em muitos casos, as experiências podem ser tão intensas que exigem acompanhamento terapêutico para que os pacientes consigam interpretá-las.”
⚠️ Limitações do estudo
Apesar dos resultados positivos, o ensaio clínico não ficou isento de críticas:
• Perda da condição de cegamento: a maioria dos pacientes adivinhou se havia recebido LSD ou placebo.
• Abandono precoce: muitos participantes desistiram durante o acompanhamento, reduzindo a robustez dos dados.
• Duração do efeito: ainda não está claro por quanto tempo os benefícios podem se manter sem necessidade de novas doses.
💡 Próximos passos
A farmacêutica Mindmed já conduz dois estudos de fase avançada, que devem acompanhar os pacientes por períodos mais longos. Caso confirmem os benefícios, os resultados serão submetidos à FDA para avaliação de aprovação.
O Dr. Maurizio Fava, do Hospital Mass General Brigham e principal autor do estudo, destacou: “É possível que algumas pessoas precisem de retratamento. Ainda não sabemos quantos serão necessários, mas o efeito duradouro é bastante significativo.”
Por Bruno Rakowsky










