Com a chegada das festas de fim de ano, marcadas por confraternizações e encontros familiares, o consumo de bebidas alcoólicas tende a aumentar no Brasil. Especialistas alertam, no entanto, que esse hábito pode trazer riscos significativos à saúde física e mental, além de gerar conflitos familiares e sociais, especialmente quando ocorre de forma excessiva ou sem supervisão adequada.
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⚠️ Riscos ampliados durante as celebrações
De acordo com a psiquiatra Alessandra Diehl, integrante do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abad), não existe consumo seguro de álcool. A especialista destaca que documentos recentes, ratificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçam que qualquer quantidade ingerida pode causar prejuízos à saúde.
Entre os problemas mais frequentes nesse período, estão:
• Quedas e acidentes domésticos;
• Casos de intoxicação alcoólica;
• Redução da supervisão de crianças em ambientes com adultos alcoolizados.
Segundo a psiquiatra, é comum que pronto-atendimentos pediátricos registrem ocorrências envolvendo crianças que ingerem bebidas alcoólicas por falta de vigilância adequada durante as festas.
🚗 Agressividade, conflitos e mistura com medicamentos
O aumento do consumo também está associado a comportamentos de risco. Alessandra Diehl chama atenção para a perda do senso crítico provocada pelo álcool.
• Aumento de episódios de agressividade;
• Conflitos familiares;
• Risco de dirigir sob efeito de álcool;
• Perigos da combinação com medicamentos.
Esses fatores tornam o período ainda mais delicado para pessoas que já enfrentam dificuldades relacionadas ao uso de álcool.
🔄 Período sensível para quem está em recuperação
Para quem está em tratamento ou em processo de recuperação, o fim de ano representa um momento de maior vulnerabilidade.
A psiquiatra destaca que a forte presença da bebida nas celebrações e a glamourização cultural do álcool podem funcionar como gatilhos emocionais, aumentando o risco de recaídas.
Segundo ela, é importante que o álcool não seja colocado como protagonista das festas, preservando ambientes mais seguros e acolhedores para todos.
🧠 Impactos na saúde mental
O uso de álcool como forma de lidar com sentimentos como tristeza, ansiedade e frustração, comuns nessa época do ano, também preocupa os especialistas.
De acordo com Alessandra Diehl, o álcool pode ser usado como uma espécie de “anestesia emocional”, mas tende a agravar quadros de ansiedade e depressão já existentes, em vez de solucioná-los.
👧🍺 Consumo entre adolescentes preocupa especialistas
Outro ponto de alerta é o aumento do consumo de álcool entre adolescentes. Dados do 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), divulgado em setembro de 2025, mostram que, enquanto o consumo entre adultos diminuiu, houve crescimento entre os mais jovens.
• Entre adultos, o consumo regular caiu de 47,7% em 2012 para 42,5% em 2023;
• Já o consumo pesado entre adolescentes subiu de 28,8% para 34,4% no mesmo período.
A psiquiatra reforça que não existe “beber com moderação” para adolescentes, tanto por questões legais quanto pelo impacto no cérebro em desenvolvimento.
Ela também critica a permissividade familiar, destacando que incentivar ou permitir o consumo dentro de casa não é uma estratégia de proteção eficaz, mas um fator de risco adicional.
🏠 Papel da família na prevenção
Segundo a especialista, a prevenção passa por uma postura clara das famílias, com diálogo, presença ativa e limites bem definidos.
A orientação é que as celebrações valorizem a convivência, e não o consumo de álcool, especialmente quando há crianças e adolescentes no ambiente.
Por Heloísa Mendelshon










