Dor de cabeça, boca seca, náusea, mal-estar geral e sensação de “corpo travado” fazem parte de um quadro bastante conhecido após o consumo excessivo de álcool. A chamada ressaca, no entanto, não é igual para todos e envolve uma combinação de processos inflamatórios, metabólicos e neurológicos que variam conforme o organismo, o tipo de bebida e os hábitos antes e depois de beber.
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🧠 O que acontece no corpo durante a ressaca
A ressaca ocorre porque o álcool, ao ser metabolizado no fígado, é transformado em acetaldeído, uma substância tóxica que desencadeia inflamação sistêmica e contribui para boa parte dos sintomas físicos e cognitivos.
Especialistas em fisiologia humana ouvidos pelo Revista Cariri explicam que o acetaldeído provoca estresse oxidativo e ativa respostas inflamatórias no organismo, o que ajuda a entender por que a dor de cabeça e o mal-estar geral persistem mesmo depois que o álcool já foi eliminado do sangue.
Além disso, o álcool tem efeito diurético, favorecendo a desidratação. Esse processo está diretamente associado à boca seca, à dor de cabeça e à sensação de fraqueza comum no dia seguinte.
🤢 Irritação gastrointestinal agrava os sintomas
Outro fator relevante é a irritação do trato digestivo. O álcool aumenta a acidez do estômago, retarda o esvaziamento gástrico e pode inflamar a mucosa intestinal, provocando náuseas, enjoo e desconforto abdominal.
Segundo especialistas em gastroenterologia, esse impacto no sistema digestivo também prejudica a absorção de nutrientes e contribui para a sensação prolongada de indisposição, especialmente quando o consumo ocorre em jejum ou é acompanhado de alimentos muito gordurosos.
🔬 Por que algumas ressacas são piores que outras
As diferenças começam na genética. Algumas pessoas produzem menos enzimas responsáveis por metabolizar o álcool, o que prolonga a exposição do organismo às substâncias tóxicas. Condições como alterações hepáticas, uso contínuo de medicamentos ou inflamação no fígado também tornam o processo mais lento.
Além disso, bebidas alcoólicas não são todas iguais. A presença de congêneres — substâncias formadas durante a fermentação e o envelhecimento, como metanol, taninos, histaminas e sulfatos — influencia diretamente a intensidade da ressaca.
Profissionais da área de toxicologia destacam que essas substâncias aumentam a inflamação e a irritação gastrointestinal, intensificando sintomas como dor de cabeça e náuseas.
🍷🥃 Mais ressaca: vinho tinto, uísque e conhaque
🍺 Intermediário: cerveja
🍸 Menos ressaca: vodca e gim, por serem bebidas mais “puras”
Apesar disso, a quantidade ingerida e a sensibilidade individual continuam sendo os principais fatores determinantes.
⏳ Quanto tempo o corpo leva para se recuperar
Não há uma resposta única. A recuperação depende de fatores como:
• quantidade e tipo de bebida consumida;
• genética e função hepática;
• hidratação e alimentação antes e depois;
• qualidade do sono, geralmente prejudicada pelo álcool.
Em média, o fígado metaboliza de meia a uma dose de álcool por hora. No entanto, especialistas alertam que os efeitos inflamatórios e a piora do sono podem se estender por 12 a 24 horas, mantendo a sensação de cansaço mesmo após a eliminação do álcool.
⚠️ Quando a ressaca deixa de ser comum
Alguns sinais indicam que o quadro exige atenção médica:
• vômitos persistentes ou com sangue;
• confusão mental ou desorientação;
• dor de cabeça intensa;
• palpitações;
• dor abdominal forte;
• diarreia com sangue;
• sudorese intensa ou tremores.
Nessas situações, a recomendação é buscar atendimento de saúde.
💧 O que ajuda — e o que não resolve
Beber água ao acordar ajuda a aliviar sintomas ligados à desidratação, mas não reduz a inflamação nem acelera a metabolização do álcool. Para quadros mais intensos, água de coco, isotônicos ou soro caseiro podem ser mais eficazes por repor eletrólitos como sódio, potássio e magnésio.
Nutricionistas ressaltam que o álcool prejudica a absorção de vitaminas do complexo B e aumenta a eliminação de minerais. Por isso, alimentos leves e nutritivos — frutas ricas em água, vegetais, caldos e proteínas magras — favorecem a recuperação.
Comer antes de beber também reduz o impacto do álcool, já que proteínas e gorduras retardam sua absorção e ajudam a manter a glicemia mais estável.
💊 Remédios exigem cautela
O paracetamol deve ser evitado após consumo excessivo de álcool, pois ambos são metabolizados no fígado e podem aumentar o risco de toxicidade hepática. Anti-inflamatórios também devem ser usados com cuidado, já que o álcool irrita o estômago e esses medicamentos elevam o risco de gastrite, sangramento gastrointestinal e sobrecarga renal em pessoas desidratadas.
Especialistas são unânimes ao afirmar que fórmulas “anti-ressaca”, chás e suplementos vendidos on-line não têm comprovação científica consistente. A ressaca é multifatorial e não existe substância capaz de neutralizar imediatamente os efeitos tóxicos do álcool.
Por Bruno Rakowsky










