O prédio que abriga a Sociedade Lírica do Belmonte (Solibel), no Crato, vive um processo de deterioração avançada. Fundada em 1973 pelo monsenhor Ágio Augusto Moreira, o Padre Ágio, falecido em 2019, a escola já foi referência em educação musical popular, mas hoje enfrenta o abandono: salas fechadas, acervo destruído por cupins e risco de desabamento do imóvel histórico motivaram moradores a organizar uma mobilização pela preservação do espaço.
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🎶 Tradição ameaçada
Criada como projeto social, a Solibel formou gerações de músicos, maestros, pesquisadores e professores — em sua maioria filhos de agricultores familiares. Mesmo aqueles que não seguiram carreira destacam a instituição como um espaço de transformação pessoal por meio da arte.

No entanto, atualmente o cenário é de salas empoeiradas, telhado comprometido, refeitório com teto caído e instrumentos esquecidos. Partituras e livros estão sendo devorados por cupins.
O produtor cultural Ítalo Darlan alerta que a situação só poderá ser revertida com a reorganização administrativa: “A escola está sem diretoria. Precisamos fazer uma assembleia com a comunidade, definir uma nova gestão e regularizar o CNPJ para participar de editais e convênios. Só assim será possível captar recursos para revitalização.”
🤝 Mobilização comunitária
Para evitar a perda total do espaço, moradores convocam empresários, ex-alunos e a comunidade em geral a colaborar com doações de materiais de construção. A proposta é realizar a obra em mutirão colaborativo.

O ex-aluno Cícero Antônio Galdino, hoje professor e regente na Vila da Música, lembrou o papel transformador da escola: “Muitas gerações passaram por aqui. Mesmo quem não seguiu na música se tornou um ser humano melhor. A arte afina os sentimentos da gente.”
📌 Pedido de apoio
O esvaziamento da Solibel coincidiu com a criação da Vila da Música Monsenhor Ágio Augusto Moreira, mantida pelo Governo do Estado, que emprega professores formados na escola, mas não tem vínculo direto com o projeto social.
Em nota, a Vila reconheceu a importância da Solibel e declarou apoio à mobilização, colocando-se à disposição para oferecer espaços de reunião e orientação jurídica e administrativa.

O articulador cultural Joênio Victor reforçou o apelo: “Pedimos aos empresários, donos de lojas de material de construção e todos que tiveram contato com o padre, que possam doar tinta, massa, telha, tijolo, cimento. Nossa comunidade tem pedreiros para realizar a obra, mas precisamos da solidariedade da sociedade para que o sonho do Padre Ágio não morra.”
Por Heloísa Mendelshon










