Seis anos após o incêndio que devastou o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, pesquisadores fizeram uma descoberta surpreendente: o holótipo original do camarão pré-histórico Beurlenia araripensis, peça-chave na identificação da espécie, foi encontrado entre os escombros. Queimado, mas intacto o suficiente para voltar à ciência, o fóssil agora permite uma revisão completa da espécie.
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Desde a tragédia de 2018, especialistas se dedicam a um meticuloso trabalho de recuperação do acervo destruído. “Entre 2018 e 2022, um trabalho minucioso foi realizado: amostras foram cuidadosamente retiradas das ruínas com a preocupação de anotar sua posição. Somente por isso está sendo possível recuperar as informações científicas de muitos fósseis resgatados”, explica Dr. Sandro M. Scheffler, responsável pelo resgate da coleção de paleoinvertebrados do museu.
Beurlenia araripensis, encontrado na Formação Crato da Bacia do Araripe, viveu há cerca de 113 milhões de anos num ambiente lacustre tropical. Agora, com as novas análises, passa a ocupar um lugar mais definido na complexa árvore da vida dos camarões.

Fóssil repatriado ajuda na reconstituição da espécie
Outro achado importante para o estudo veio do exterior: parte de uma carga de quase 1.000 fósseis brasileiros foi apreendida ilegalmente na França e, após um esforço conjunto entre Universidade Regional do Cariri (URCA), Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, Geopark Araripe, Governo do Ceará, Ministério Público e Ministério das Relações Exteriores, foi repatriada em 2023.
Esse material, extremamente bem preservado, somado ao holótipo resgatado das cinzas, permitiu aos cientistas revisar completamente a descrição da espécie, esclarecendo dúvidas que perduravam desde os anos 1990.
“É como se esse fóssil tivesse renascido. Uma espécie que foi descrita uma vez, quase desapareceu na tragédia e agora retorna com uma nova identidade”, afirma o paleontólogo Daniel Lima, um dos autores da pesquisa.
O estudo, publicado na revista internacional PalZ, é fruto da colaboração entre cientistas do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (URCA), Museu Nacional (UFRJ) e Universidade de Oxford, no Reino Unido.
Por Fernando Átila