O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje (15) que “sem voto auditável” o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencerá as eleições de 2022 “pela fraude”. Mais uma vez, Bolsonaro participou de um evento com aglomeração sem usar máscara.
“Se tiraram da cadeia o maior canalha da história do Brasil, se para esse canalha for dado o direito de concorrer, o que me parece é que, se não tivermos o voto auditável, esse canalha, pela fraude, ganha as eleições do ano que vem. Não podemos admitir um sistema eleitoral que é passivo de fraude”, disse Bolsonaro.
Milhares de apoiadores do presidente acompanharam o discurso, em frente ao carro de som, aglomerados e grande parte deles sem máscara de proteção contra a Covid-19.
Pesquisa Datafolha divulgada esta semana mostrou que Lula lidera a corrida eleitoral de 2022. Em um possível segundo turno contra Bolsonaro, o ex-presidente tem 55% de intenção de voto, contra 32% do atual chefe do Executivo.
A fala de Bolsonaro ocorreu em um carro de som que integra uma manifestação de apoio ao presidente, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. No veículo, está escrito: “O que for preciso eu autorizo presidente”.
Ministros sem máscara
Ministros do governo Bolsonaro também fizeram falas no carro de som — assim como o presidente, nenhum deles usava máscara de proteção contra a Covid-19. Em mensagem breve, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, exaltou a importância do agronegócio. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, defendeu o trabalho do governo no desenvolvimento de rodovias e ferrovias que beneficiam os ruralistas.
“O agro é o maior amigo do meio ambiente, essa é a verdade. As cidades é que poluem. O agro brasileiro é exemplo para todo o mundo”, falou Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente.
O ministro do Turismo, Gilson Machado, tocou sanfona, como costuma fazer em lives e até eventos com Bolsonaro, e também proferiu palavras de apoio ao governo. O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, era outro presente no carro de som.
Pandemia
Bolsonaro também voltou a criticar governadores e prefeitos que adotaram medidas de isolamento social para combater o avanço da pandemia de Covid-19.
“Essa pandemia realmente não foi fácil. Mas conseguimos manter o nível de empregos formais. Já informais, quase 40 milhões [de empregos perdidos], quem destruiu? Foram alguns governadores e prefeitos, com sua política, sem qualquer comprovação científica, do ‘fique em casa, a economia a gente vê depois'”, falou o presidente.
“Lamentamos as mortes por Covid e todas as outras mortes. Mas não é ficando embaixo da cama que vamos enfrentar o problema”, continuou Bolsonaro. Até agora, cerca de 433 mil pessoas morreram por Covid-19 no Brasil.
Fonte: UOL