O Cadastro Único (CadÚnico) registrou que cerca de 14 milhões de brasileiros superaram a linha de pobreza nos últimos dois anos. Os dados, divulgados nesta terça-feira (9), mostram que a melhoria da renda das famílias decorre sobretudo do cenário de baixo desemprego e de avanços na escolaridade, sem considerar o repasse do Bolsa Família.
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📉 Queda expressiva da pobreza
Em março de 2023, o Brasil tinha 26 milhões de famílias em situação de pobreza. Em agosto de 2025, esse número caiu para 19,5 milhões, uma redução de 25%. Atualmente, essa faixa representa menos da metade dos 41,1 milhões de domicílios cadastrados.
No mesmo período, houve queda de 20% no grupo de baixa renda e crescimento de 67% entre famílias com renda acima de meio salário mínimo por pessoa, incluindo crianças.
💼 Boom trabalhista favorece os mais pobres
Segundo Marcelo Neri, diretor da FGV Social, a renda da metade mais pobre do país cresceu 19% em dois anos, já descontada a inflação. Para os 10% mais ricos, o avanço foi menor: 11,6%.
“Há um boom trabalhista na metade mais pobre do país. É um crescimento com mais fermento para os mais pobres, o que significa redução da desigualdade”, afirmou Neri.
Ele destacou ainda que o aumento da renda está ligado não apenas ao emprego, mas também à maior escolaridade: “Não só é um carro andando, mas com tração nas quatro rodas. São vários componentes contribuindo.”
🟡 Bolsa Família não recua no mesmo ritmo
Apesar da melhora nos indicadores, o orçamento do Bolsa Família segue elevado. O gasto saltou de R$ 113,5 bilhões em 2022 (quando ainda se chamava Auxílio Brasil) para R$ 166,9 bilhões em 2023. Neste ano, a previsão é de R$ 159,5 bilhões, valor próximo ao estimado para 2026.
O programa mantém a regra de proteção, que reduz pela metade o auxílio de quem supera a renda de R$ 218 per capita, permitindo uma transição gradual. Após ajustes feitos em junho de 2025, o tempo de permanência caiu de dois para um ano, acelerando a saída de famílias que melhoraram de condição.
🔎 Mais precisão nos dados
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o CadÚnico passou a integrar informações do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), cruzando dados de empregos formais e benefícios previdenciários. Desde 2023, sete ações de integração já atualizaram informações de 33 milhões de pessoas.
Com isso, em alguns casos, famílias que antes estavam registradas como pobres migraram diretamente para a faixa de renda superior a meio salário mínimo.
🚀 Mercado de trabalho em alta
O primeiro semestre de 2025 confirmou a força do emprego: 58% das novas vagas formais foram preenchidas por beneficiários do Bolsa Família. A taxa de desemprego no segundo trimestre foi de 5,8%, a menor da série histórica do IBGE.
Rafael Osório, secretário de Avaliação e Gestão da Informação do MDS, avaliou: “A redução das famílias em situação de pobreza é reflexo da melhoria de vida da população, mas não estaríamos vendo isso no Cadastro se não fosse a integração de dados.”
Já Eliane Aquino, secretária nacional de Renda de Cidadania, reforçou que há preconceito em relação aos beneficiários: “Os números mostram o contrário: o público do CadÚnico e, dentro dele, do Bolsa Família é o que mais acessa o mercado de trabalho.”
📌 O movimento revela um novo ciclo social e econômico, com avanço da renda dos mais pobres, redução da desigualdade e maior integração entre políticas públicas e dados do trabalho formal.
Por Nágela Cosme










