O Cariri poderá abrigar a primeira Escola Brasileira de Literatura de Cordel e Xilogravura. A proposta vem sendo debatida por meio de articulações entre o Ministério da Cultura (Minc), a Universidade Regional do Cariri (URCA), responsável pela Lira Nordestina, gerida através da Pró-Reitoria de Extensão da instituição, e a Universidade Federal do Cariri (UFCA).
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Nesta segunda-feira (26), o secretário de Formação Artística e Cultural do Minc, Fabiano Piúba, participou de uma reunião com representantes das duas universidades para discutir o projeto. Durante a agenda, o secretário visitou a gráfica Lira Nordestina, acompanhado da pró-reitora de Extensão da URCA, professora Sandra Nancy, e da professora do curso de Biblioteconomia da UFCA, Fanka Santos.
Pela relevância histórica e cultural da Lira Nordestina, o espaço é apontado não apenas como possível sede da futura escola, mas também como principal fonte de inspiração e memória viva dos tempos áureos do cordel no Brasil.
🎨 Tradição e identidade cultural
O Cariri é reconhecido como um dos principais polos da literatura de cordel e da xilogravura brasileira. Ao longo de décadas, a poética rimada dos folhetos foi responsável por levar informação, histórias e cultura popular a diferentes públicos, funcionando como um dos principais meios de comunicação de massa no Nordeste.
A expressão estética do cordel, marcada pela rima e pela oralidade, ganhou projeção nacional e internacional, levando a identidade nordestina para diversos países e consolidando-se como um patrimônio cultural imaterial.
📜 Raízes históricas no século XIX
Entre o final do século XIX e o início do século XX, as feiras sertanejas localizadas no sopé da Chapada do Araripe, especialmente nas cidades de Crato e Juazeiro do Norte, tornaram-se grandes centros de produção de cordel. As romarias impulsionaram ainda mais essa prática, fortalecendo Juazeiro como referência nacional.
Nesse contexto, a Tipografia São Francisco se destacou como núcleo de produção e difusão da literatura popular. Posteriormente, o espaço passou a ser conhecido como Lira Nordestina, mantendo viva a tradição gráfica e poética da região.
É justamente nesse território marcado por uma trajetória histórica de grandes poetas e xilógrafos que pode surgir a primeira escola do país voltada exclusivamente à formação em cordel e xilogravura, consolidando o Cariri como a “capital simbólica” dessas expressões artísticas na América Latina.
🖋️ Lira Nordestina: memória viva do cordel
Antiga Tipografia São Francisco, localizada em Juazeiro do Norte, a Lira Nordestina é considerada o marco zero da resistência cultural do cordel e da xilogravura. No local, o som das máquinas tipográficas se mistura ao cheiro da tinta, preservando técnicas seculares de impressão artesanal.
A região é reconhecida como um verdadeiro celeiro de talentos, onde artistas transformam a madeira em poesia visual. Nomes como Stênio Diniz e o saudoso Mestre Noza, considerado o primeiro xilógrafo de Juazeiro, abriram caminho para novas gerações que unem tradição e contemporaneidade.
Atualmente, a Lira Nordestina reúne importantes representantes da xilogravura, como José Lourenço, que desenvolve trabalhos de destaque e simboliza a resistência e a continuidade dessa arte secular no Cariri.
Por Nicolas Uchoa








