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Delta, mu e lambda: entenda as variantes do coronavírus que estão no foco dos cientistas

Mutações das cepas preocupam especialistas, por risco de maior transmissão da Covid

11 de setembro de 2021
Variante delta pode se tornar dominante no País; entenda

(Foto: Shutterstock)

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A disseminação contínua do vírus Sars-CoV-2 vem gerando todo um alfabeto grego de variantes –o sistema de nomenclatura utilizado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) para identificar novas mutações preocupantes do causador da Covid-19.

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Algumas dessas alterações deram ao vírus maneiras melhores de infectar humanos ou escapar da proteção oferecida pelas vacinas.

A delta, hoje a dominante em todo o mundo, continua no foco dos cientistas. Os pesquisadores, no entanto, acompanham também o avanço de outras linhagens. O objetivo é prever o que pode um dia tomar seu lugar.

Entenda abaixo as origens e as característas das variantes delta, mu (pronuncia-se “mi” em português) e lambda. As duas últimas foram identificadas primeiro na América Latina e estão sob a mira dos especialistas para saber se vão se espalhar com força pelo mundo.

Delta: ainda a variante dominante

Detectada inicialmente na Índia, a variante delta ainda é a mais preocupante. Ela está atingindo populações não vacinadas em muitos países (inclusive no Brasil) e já mostrou ser capaz de infectar uma parcela maior de pessoas vacinadas do que as variantes predecessoras.

A OMS classifica a delta como variante de preocupação. Isso porque ela provou ser capaz de aumentar a transmissibilidade, causando doença mais grave ou reduzindo o benefício de vacinas e tratamentos.

Segundo o virologista Shane Crotty, do Instituto La Jolla de Imunologia, em San Diego (EUA), o “superpoder” da delta é sua transmissibilidade.

Pesquisadores chineses descobriram que pessoas infectadas com a variante delta trazem 1.260 vezes mais vírus no nariz, em comparação com a versão original do coronavírus.

Algumas pesquisas feitas nos EUA sugerem que a carga viral de pessoas vacinadas que contraem a variante delta é igual à de pessoas não vacinadas, mas mais pesquisas são necessárias para uma conclusão.

Também já se sabe que, enquanto o coronavírus original levava até sete dias para provocar sintomas, a variante delta pode levar de dois a três dias menos. Assim, ela dá menos tempo para o sistema imunológico reagir e preparar uma defesa.

Mu: merece ser observada

Conhecida antes como B.1.621, a variante mu foi identificada inicialmente em janeiro deste ano na Colômbia.

Em 30 de agosto, a OMS a classificou como variante de interesse, devido a várias mutações preocupantes, e lhe conferiu, assim, um nome de letra grega.

A mu carrega mutações-chave, incluindo a E484K, a N501Y e a D614G, que já foram vinculadas a transmissibilidade aumentada e proteção imunológica reduzida.

Dados sob análise da OMS indicam que pessoas vacinadas ou que já tiveram a Covid anteriormente podem não ter uma proteção tão forte contra essa variante, mas mais estudos são necessários para confirmar isso, alertam.

Ainda segundo boletim da OMS publicado na semana passada, a mu vem causando alguns surtos maiores na América do Sul e na Europa.

Embora o número global de sequências genéticas identificadas como mu esteja abaixo de 0,1%, ela representa 39% das variantes sequenciadas na Colômbia e 13% das do Equador, países onde sua prevalência vem aumentando constantemente, segundo a organização.

A OMS disse ainda que continua a monitorar a mu para rastrear mudanças na América do Sul, especialmente em áreas onde ela circula concomitantemente com a variante delta.

No Brasil, segundo a plataforma Gisaid, que reúne dados sobre sequenciamentos do vírus feitos em todo o planeta, até o momento, há dez casos da Mu. O número ainda é muito baixo, em um total de mais de 35 mil amostras estudadas no país.

Maria van Kerkhove, diretora da unidade de doenças emergentes da OMS, diz que a circulação da mu vem diminuindo globalmente, mas que precisa ser observada de perto.

Em fala à imprensa na semana passada, o assessor médico da Casa Branca, Anthony Fauci, disse que as autoridades dos Estados Unidos estão observando a mu, mas que, por enquanto, ela não é vista como uma ameaça imediata.

Lambda: em declínio

A variante lambda, identificada inicialmente no Peru em dezembro, é uma potencial ameaça que parece estar perdendo força.

Embora os casos de Covid envolvendo a lambda tenham aumentado em julho, as notificações de infecções por essa variante vêm caindo globalmente nas últimas quatro semanas, segundo o banco de dados Gisaid.

A OMS classifica a lambda como variante de interesse desde meados de junho. Isso significa que ela carrega mutações suspeitas de provocar uma mudança na transmissibilidade ou de causar doença mais grave, mas esses pontos ainda estão sendo pesquisados.

Estudos de laboratório indicam que ela possui mutações que resistem a anticorpos induzidos por vacinas.

Outras variantes estão a caminho?
Para evitar novas e mais perigosas variantes, é crucial vacinar um número maior de pessoas contra a Covid-19. Grandes grupos de não vacinados dão ao vírus mais oportunidades de se propagar e criar mutações.

Para especialistas, o esforço de vacinação precisa ser intensificado, especialmente nas populações de países pobres onde até agora poucos foram imunizados.

Mesmo assim, embora as vacinas atuais previnam os casos graves de Covid e as mortes pela doença, elas não bloqueiam a contaminação.

O vírus ainda é capaz de replicar-se no nariz, mesmo entre pessoas vacinadas. Elas podem então transmitir a enfermidade por meio de gotículas que se espalham no ar.

Para o desenvolvedor de vacinas Gregory Poland, da clínica Mayo (EUA), para derrotar o Sars-CoV-2 provavelmente será necessária uma nova geração de vacinas que também bloqueiem a transmissão. Até então, dizem ele e outros especialistas, o mundo continuará vulnerável à ascensão de novas variantes do coronavírus.

Fonte: Folhapress

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