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Loteria – Por J. Flávio Vieira

Colunista escreve semanalmente no Revista Cariri

5 de novembro de 2023
Loteria – Por J. Flávio Vieira

(Foto: Freepik)

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Cilistrino recebeu a notícia sem o estardalhaço que era esperado. Beirava os oitenta anos e sabia, perfeitamente, que dobrada a próxima esquina, o mais provável é que lhe aguardasse o precipício e não os campos de girassóis. Ouviu pelo rádio: ganhara trinta mil reais no “Kariri da Sorte” em que arriscava pules há muitos e muitos anos. Antes de um prêmio a sorte deveria significar apenas um ressarcimento. Imaginou, de pronto, que a ex-mulher que o abandonara há muitos e muitos anos poderia, subitamente, voltar a apaixonar-se e os filhos, que não via há muitos anos, com saudades agora sentiriam uma estranha ausência do pai. Os amigos do barzinho o cumprimentaram sem disfarçar uma certa inveja e, os mais sensatos, orientaram para que fizesse uma poupança, no aguardo das estações mais turbulentas que se prenunciavam: de remédios, de exames, de internações, de cirurgia e de pijama de tábua.

Cilistrino pôs as mãos na grana, que chegara de forma desavisada, mas sem o grande entusiasmo de outrora. Viera meio fora de época, como uma micareta. Tinha lá sua animação, mas não se comparava ao Carnaval. No dia seguinte, fez um plano de saúde, imaginou que era um bom investimento para um velho já meio descascado. Projetou em deixar um pouco na poupança e comprar um terreno no cemitério com um plano funerário. Não queria dar trabalho nem despesa ao que ficassem (não era justo, se não ia legar herança material, deixar essa batata fervente na mão de familiares que nem sequer o consideravam). Procurou uma funerária —“ Furdunço no Céu”—e conversou com o corretor. O rapaz, cheio de mesuras e querequequés, o atendeu com presteza e apresentou-lhe as possibilidades de planos funerários com as mesmas possibilidades de um outro evento: batizados, casamentos, bodas de ouro. Docinhos como Bem-Morridos, Coroas das mais variadas flores, lembrancinhas, bandas musicais. Caixões de vários formatos: guitarras para músicos), livros (para escritores), caixetes (para farmacêuticos), caixa de aguardente para os pinguços etc. Lembrou que médicos (não era o seu caso), como fornecedores da matéria prima, tinham desconto especial. Quanto ao terreno no campo santo, possuía, também várias opções e preços. Locais com vista privilegiada para a montanha, pontos mais tranquilos e sem barulho, outros mais agitados para os roqueiros, por exemplo. Podia, ainda, optar por música ambiente e wi-fi. Cilistrino, pensou um pouco, e pediu tempo para pensar.

Voltou para casa cabreiro. Tudo aquilo, nos finalmente, era prova inequívoca da vaidade sem limites do homem. Lembrou de tantos, cheios de dinheiro, acumulado por toda existência, simplesmente para florir depois o inventário. A vida passara ao largo como um ginete veloz, e eles, pés fixos no chão, esqueceram de montá-lo. Alguns ostentam agora o título de serem os mais ricos do cemitério. Cilistrino, pensou com seus botões: depois da sua partida não havia qualquer diferença entre o enterro e a cremação, o esquife de ouro ou o caixão das almas, o túmulo suntuoso ou a vala comum. O pó é apenas o pó. Depois da partida, a preocupação com o defunto (o projeto do nada) é uma questão relativa aos que ficaram. Até porque as poucas lágrimas e as lembranças cessam definitivamente após a missa de sétimo dia. A morte não é apenas física. É total e definitiva.

Os amigos do bar, nos dias seguintes, viram um novo Cilistrino que surgiu em meio às notas da loteca. Resolveu investir em vida o dinheirinho que lhe chegou como prêmio. Comprou um carrinho, arranjou uma namorada nova, caiu nos bailes da vida e passou a anestesiar um pouco o duro caminho a custas de conhaques e umas baforadas: que ninguém é de ferro. Disse aos amigos que quando a “Velha da Foiçona” chegasse, não gastassem vela com defunto ruim: vala comum, caixão das almas, nada de flores. O que ganhei na loteria gastei com vida!

Por J. Flávio Vieira, médico e escritor. Membro do Instituto Cultural do Cariri (ICC). Agraciado com a Medalha do Mérito Bárbara de Alencar

*Este texto é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Revista Cariri

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