Desde cedo, somos ensinados a importância do altruísmo e da empatia. Aprender a cuidar dos outros é uma das lições fundamentais da vida, mas muitas vezes esquecemos de um passo crucial nesse processo: aprender a amar a si mesmo. Afinal, como podemos verdadeiramente cuidar dos outros se não cuidamos de nós mesmos primeiro?
Lembro-me de uma história que minha avó costumava contar, sobre uma borboleta que voava de flor em flor, distribuindo néctar a todos os jardins que visitava. Ela era admirada por sua generosidade, mas ninguém percebia que suas asas estavam cada vez mais desgastadas. A borboleta estava exausta de tanto dar de si mesma, até que um dia suas asas se romperam, e ela caiu no chão.
Essa história, de certa forma, ilustra a importância de amar a si mesmo antes de amar os outros. Não podemos dar o que não temos. Se negligenciarmos nossas próprias necessidades físicas e emocionais, eventualmente nos esgotaremos. E quando isso acontece, nossa capacidade de ajudar os outros fica comprometida.
Amar a si mesmo não significa ser egoísta ou egocêntrico. Significa reconhecer nossas próprias necessidades e cuidar delas com carinho e compaixão. Isso inclui atender às nossas necessidades físicas, como alimentação adequada, sono suficiente e exercício regular, mas também às nossas necessidades emocionais, como o autocuidado e o desenvolvimento pessoal.
Quando aprendemos a nos amar, nos tornamos mais resilientes e capazes de lidar com as adversidades da vida. Isso nos permite estar mais presentes para os outros, pois não estamos constantemente esgotados ou sobrecarregados. É como encher nosso próprio copo primeiro, para então poder compartilhar seu conteúdo com os outros.
Além disso, o amor-próprio nos ensina a estabelecer limites saudáveis. Sabemos quando dizer “não” quando necessário, sem nos sentirmos culpados ou inadequados. Isso não significa que deixamos de ser generosos, mas sim que aprendemos a ser generosos de uma maneira que não nos prejudique.
Quando amamos a nós mesmos, também nos tornamos modelos melhores para os outros. Nossas ações e atitudes refletem a importância do autocuidado e do amor-próprio. Inspiramos aqueles ao nosso redor a fazerem o mesmo, criando um ciclo virtuoso de cuidado mútuo.
Portanto, da próxima vez que se sentir tentado a se sacrificar em nome dos outros, lembre-se da borboleta exausta. Lembre-se de que amar a si mesmo não é egoísta, mas sim um passo essencial para ser verdadeiramente capaz de amar e cuidar dos outros. É como a base sólida de uma casa que permite que ela se mantenha firme durante as tempestades da vida. Ame a si mesmo, depois os outros, e você será uma fonte mais abundante de amor e compaixão para o mundo ao seu redor.
Por Mirta Lourenço. Médica, professora, cronista e poetisa
*Este texto é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Revista Cariri
















