Em 12 anos, o número de idosos que vivem sozinhos no Ceará mais que dobrou e passou a representar, em 2024, 41% dos lares unipessoais. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo IBGE nessa sexta-feira (22), o grupo passou de 84 mil, em 2012, para 213 mil no ano passado.
Curta, siga e se inscreva nas nossas redes sociais:
Facebook | X | Instagram | YouTube | Bluesky
Sugira uma reportagem. Mande uma mensagem para o nosso WhatsApp.
Entre no canal do Revista Cariri no Telegram e veja as principais notícias do dia.
O aumento acompanha uma tendência nacional: 40,5% dos domicílios unipessoais no Brasil também são formados por pessoas com 60 anos ou mais. No Ceará, o índice é ligeiramente superior, com destaque para a participação feminina — 51,7% das mulheres que vivem sozinhas no Estado já estão na terceira idade.
Especialistas explicam cenário
Para a socióloga Lúcia Menezes, o crescimento reflete mudanças culturais e familiares.
“Estamos diante de um processo de envelhecimento populacional acelerado. Ao mesmo tempo, houve transformações nos arranjos familiares: os filhos saem de casa mais cedo, os divórcios são mais comuns e muitas pessoas idosas preferem manter sua independência”, analisa.
O geriatra Rafael Pinheiro, alerta, porém, para os riscos associados.
“O envelhecimento solitário pode aumentar a vulnerabilidade social e os problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. É fundamental que políticas públicas estejam atentas, tanto para garantir assistência médica quanto para fomentar redes de apoio comunitárias”, afirma ao Revista Cariri.
Evolução ao longo dos anos
O IBGE mostra que o salto mais expressivo ocorreu a partir de 2021. Naquele ano, 141 mil idosos viviam sozinhos. Em 2022, já eram 171 mil. O número passou para 200 mil em 2023 e chegou a 213 mil em 2024.
Entre todas as faixas etárias, a dos idosos é a que apresenta maior proporção de moradores solitários: 13,9% dos 1,52 milhão de pessoas acima dos 60 anos no Estado. Em comparação, apenas 6,4% dos adultos de 30 a 59 anos e 3% dos jovens de 15 a 29 anos vivem sozinhos.
Impactos e desafios
O economista Eduardo Linhares, especialista em demografia, destaca que o crescimento desse grupo também traz impactos para políticas habitacionais e previdenciárias.
“O aumento de domicílios unipessoais entre idosos significa maior demanda por serviços de saúde, transporte e moradia adaptada. Isso precisa entrar na pauta de planejamento urbano e social, especialmente em estados como o Ceará, que têm envelhecimento acelerado”, explica.
Atualmente, o Ceará soma mais de 3,2 milhões de domicílios, dos quais 520 mil são unipessoais. O arranjo domiciliar mais comum ainda é o nuclear, com 65,7% dos lares, mas em queda em relação a 2012, quando representava 68,4%.
O que dizem os dados nacionais
No Brasil, 18,6% das unidades domésticas registradas em 2024 eram unipessoais. Em 2012, eram 12,2%. Embora o fenômeno seja observado em todas as regiões, os números apontam que os idosos são protagonistas desse crescimento, reforçando a necessidade de olhar atento das políticas públicas.
Por Aline Dantas










