O aposentado Pedro Marcelino, de 70 anos, precisou de atendimento médico após ser picado por um escorpião enquanto preparava o café da manhã em sua residência. O caso ocorreu quando ele pisou em um tapete da cozinha e foi surpreendido pelo animal peçonhento, sendo encaminhado ao Hospital Regional do Cariri (HRC), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).
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Segundo o próprio paciente, o acidente aconteceu de forma repentina. “Na hora que eu pisei no tapete da cozinha, o escorpião estava lá em cima e me ‘ferroou’. No momento senti a furada, depois ficou doendo e dormente, uma dor constante subindo pela perna”, relatou Pedro Marcelino.
Incentivado pela esposa, ele procurou atendimento no HRC, onde passou pela triagem, foi avaliado pela equipe médica e permaneceu em observação. O paciente recebeu medicação e apresentou melhora dos sintomas ainda durante o acompanhamento na unidade.
🚨 Emergência médica
Animais peçonhentos são aqueles capazes de injetar veneno, como escorpiões, cobras e aranhas. Os acidentes envolvendo esses animais são considerados emergências médicas e exigem atenção imediata, mesmo quando os sintomas iniciais parecem leves.

A médica emergencista Morgana Tavares, que atua no HRC, explica que os sinais de gravidade variam conforme o animal, mas existem sintomas que indicam a necessidade de socorro urgente. “São eles: dor intensa que se espalha rapidamente, inchaço progressivo ou endurecimento na região, vômito, tontura, suadeira, visão embaçada, dificuldade para respirar, muita sonolência, paciente confuso ou queda da pressão. Esses sintomas indicam que o veneno já está agindo de forma mais sistêmica no corpo todo e esse paciente precisa ser atendido com urgência maior”, afirmou.
💉 Indicação do soro antiveneno
Ao dar entrada no HRC, o paciente é avaliado pela equipe de emergência, que classifica a gravidade do caso e identifica o tipo provável de animal envolvido. Havendo indicação clínica, é aplicado o soro antiveneno específico.
“Além disso, o HRC realiza o acompanhamento clínico, monitora sinais vitais e reavalia exames laboratoriais, porque algumas complicações podem surgir mesmo depois de uma melhora inicial”, ressaltou Morgana Tavares.
A avaliação da necessidade do soro é feita em conjunto com a farmácia hospitalar. A farmacêutica Marina Santos explica que a decisão leva em conta os sintomas apresentados, o tipo de animal e os exames laboratoriais. “Pacientes que chegam sem sintomas clínicos e com exames normais devem permanecer em observação por no mínimo 12 horas. Já aqueles que apresentam sinais de envenenamento devem ficar em observação por pelo menos 24 horas ou até a melhora clínica e laboratorial para alta”, destacou.
Segundo ela, o objetivo do soro é neutralizar o veneno que ainda está circulando no organismo, e a quantidade aplicada depende se o caso é classificado como leve, moderado ou grave.

No HRC, estão disponíveis todos os tipos de soros necessários para esses atendimentos:
• Soro antibotrópico (jararaca);
• Soro anticrotálico (cascavel);
• Soro antielapídico (cobra coral verdadeira);
• Soro antiescorpiônico (escorpião amarelo);
• Soro antiaracnídeo (aranhas).
📊 Panorama de acidentes no Ceará
No Ceará, entre 2024 e 2025, foram registrados 26.660 acidentes com animais peçonhentos, sendo 12.061 em 2024 e 14.599 em 2025. Os acidentes com escorpiões representaram 60,8% das notificações nesse período.
Para a coordenadora de Vigilância Epidemiológica e Prevenção em Saúde da Sesa, Ana Cabral, o crescimento dos números não significa apenas aumento da população desses animais. “Este crescimento absoluto não deve ser interpretado apenas como um aumento na densidade populacional de animais, mas também como um reflexo do fortalecimento da rede de vigilância e do planejamento para distribuição de imunobiológicos”, destacou.
Na região do Cariri, foram 2.825 notificações em 2024 e 3.667 em 2025, o que representa um aumento de 29,8%. Somente no HRC, foram registrados 96 casos em 2024 e 149 em 2025.

⚠️ O que não fazer em caso de acidente
A médica Morgana Tavares reforça que algumas práticas comuns podem agravar o quadro do paciente. “Não se deve cortar o local, fazer torniquete, sugar o veneno ou aplicar qualquer substância. O correto é manter o membro em repouso, retirar anéis, pulseiras ou calçados apertados e lavar apenas com água e sabão. Se for possível, você pode tirar uma foto do animal para facilitar a identificação do tratamento”, orientou.
Por Nágela Cosme








