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Na volta às aulas, profissionais alertam sobre cuidados com a visão das crianças

Retorno à rotina escolar exige atenção de pais e educadores para otimizar a saúde visual dos pequenos

26 de janeiro de 2020
Na volta às aulas, profissionais alertam sobre cuidados com a visão das crianças

Opinião dos pequenos deve ser levada em consideração no momento da escolha de lentes e armações, por exemplo

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O período de volta às aulas sempre tem cheiro de material novo, expectativa para reencontrar amigos e vontade de aprender outros conteúdos. Mas, com ele, vem também algumas preocupações. Entre elas, aquelas relacionadas a problemas de visão, algo que pode afetar o desempenho das crianças no processo de aprendizagem.

Por isso, é muito importante os pais estarem atentos sobre como os pequenos têm olhado para a lousa ou os livros, a fim de tentar compreender se isso tem sido fácil, ou não. Conforme o médico Renato Neves, diretor-presidente do Eye Care Hospital de Olhos (SP), o volume de pacientes com menos de 17 anos aumenta entre 20% e 30% na segunda quinzena de janeiro. A estatística está diretamente ligada à época de retorno à rotina escolar.

“A maior parte do aprendizado de uma pessoa se dá na infância. Por isso é tão importante oferecer as melhores condições possíveis e cuidar bem da visão”, afirma.

Ele destaca que um exame realizado num ambiente clínico, com toda a tecnologia necessária, pode garantir não somente a prescrição de óculos de grau para quem tem miopia, hipermetropia ou astigmatismo, como também oferece outras possibilidades terapêuticas dependendo da necessidade.

“Quando um problema de visão é mal diagnosticado ou passa despercebido, outros problemas comportamentais e de saúde podem surgir como desdobramento. Exemplo disso são crianças consideradas impacientes, difíceis de lidar, e que, posteriormente, foram diagnosticadas com miopia. Ou seja: a criança não enxergava nada o que estava sendo escrito na lousa – o que desencadeava a falta de interesse e indisciplina”, situa.

Dados
Para ampliar a discussão, estudos demonstram que 60% das crianças classificadas como estudantes portadores de alguma incapacidade ou dificuldade no aprendizado na realidade tinham problemas de visão nunca diagnosticados.

Outro levantamento, realizado pelo National Eyes Institute (EUA), mostrou que casos de miopia saltaram de 25% para 42% entre os norte-americanos com idade entre 12 e 54 anos nas últimas três décadas.

Ainda segundo Renato Neves, outras queixas comuns entre crianças que vivenciam essa situação são dor de cabeça, vermelhidão ocular, sensação de cansaço nos olhos e irritação.

“Não são poucas as que verbalizam a necessidade de ‘descansar’ um pouco os olhos antes de continuar a estudar ou até brincar. Os pais devem estar muito atentos e buscar ajuda de um especialista”.

Quando o paciente é pequeno, o ideal, conforme o médico, é o uso de óculos, especialmente por não requererem tantos cuidados e serem mais fáceis de adaptação.

Contudo, se, no fim das contas, com o avançar da idade, houver uma acomodação no grau, com o avançar da idade, a cirurgia refrativa é um recurso para o paciente se ver livre de óculos e lentes de contato. “Hoje em dia o procedimento é rápido, praticamente indolor e a recuperação se dá em curto espaço de tempo”, resume Renato.

Sensibilidade
A psicóloga Milena Assunção, que atua como Orientadora Educacional no município de Sobral, interior do Ceará, alerta que, para além de interferir no desempenho cognitivo, problemas na visão durante a infância podem também influenciar nas trocas sociais.

Não à toa, um olhar mais sensível do professor ou dos funcionários que interagem com o educando faz toda a diferença.

“Em alguns casos, essa dificuldade não é percebida com clareza pelo aluno e/ou seus familiares, e a escola, desse modo, pode vir a ser uma promotora de saúde e cuidado”, situa a profissional.

Ela ainda dá alguns direcionamentos aos pais no caso de as crianças resistirem a usar óculos de grau, seja por falta de compreensão do problema, ou por “vergonha” dos coleguinhas.

“O primeiro passo é não deslegitimar o desconforto dela. É fundamental que os pais tenham paciência e disposição em entender esse momento da criança. Somente se aproximando de forma empática, é que o filho tem a possibilidade de se perceber acolhido, sendo convidado a deslocar esse olhar que traz certos preconceitos e, também, podendo enxergar as coisas boas que vêm do uso do óculos”.

E quanto aos apelidos que, ocasionalmente, podem surgir com a adesão às armações oculares? Milena é direta ao explicar que, no ambiente escolar, podem ser realizadas intervenções, rodas de conversas e momentos de sensibilização.

Nas palavras dela, “tais ações têm como objetivo maior o combate ao bullying e a promoção de um espaço em que o respeito e acolhimento são postos para combater comportamentos que permeiam a escola há muito tempo, como é o caso do preconceito contra quem faz uso de óculos”.

Modelos
Outro fator importante a se considerar é a questão da escolha de modelos e cores de armações e lentes. Muitas vezes, há uma imposição para que os pequenos sigam determinados padrões quando, na verdade, fazer com que eles tomem a dianteira nessa decisão é essencial.

“É extremamente necessário e válido. Claro que existirão algumas recomendações médicas sobre os materiais que vão compor a armação e as lentes. Contudo, no que diz respeito ao design, é algo que precisa ser colocado para a criança. Será ela que usará o acessório todos os dias. Ter essa possibilidade de escolha implica em uma maior adesão ao uso”, conclui Milena Assunção.

Por Diego Barbosa

Fonte: Diário do Nordeste

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