Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) revelam que o número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil saltou de 4.237 em 2014 para 72.728 em 2024. A incidência da doença apresenta um padrão regional bem definido, com taxas mais elevadas concentradas nos estados das regiões Sul e Sudeste.
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📊 Crescimento dos casos e diferenças regionais
A projeção nacional em 2024 foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, ligeiramente abaixo do pico registrado em 2023, quando a taxa chegou a 36,28. No ranking estadual, Espírito Santo (139,37) e Santa Catarina (95,65) lideraram, seguidos por Rondônia (85,11), que se destacou fora do eixo Sul-Sudeste.
Segundo a SBD, esses índices refletem uma combinação de fatores, como:
☀️ maior exposição solar
👩🦳 predominância de pessoas de pele clara
📈 envelhecimento da população
Nas regiões Norte e Nordeste, as taxas seguem mais baixas, mas estados como Rondônia (85,11) e Ceará (68,64) apresentaram elevação em 2024.
“Em unidades historicamente marcadas por baixa notificação, como Roraima, Acre e Amapá, o aumento pode indicar avanço na vigilância epidemiológica, ainda que a subnotificação persista, sobretudo em áreas rurais ou de difícil acesso”, avaliou a entidade.
🔍 Diagnóstico precoce e gargalos no SUS
A SBD destaca que o aumento dos diagnósticos tornou-se mais expressivo a partir de 2018, quando passou a ser exigido o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) nos exames de biópsia.
Ainda assim, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam 2,6 vezes mais dificuldade para agendar consulta com dermatologista do que usuários da rede privada.
Para a entidade, ampliar o diagnóstico precoce depende da expansão da oferta de consultas no SUS, já que identificar a doença em estágios iniciais:
• aumenta as chances de cura
• reduz a necessidade de tratamentos mais complexos
🩺 Consultas dermatológicas
No SUS, o volume de consultas dermatológicas caiu drasticamente em 2020, passando de 4,04 milhões para 2,36 milhões, em razão da pandemia. A partir daí, houve recuperação gradual, chegando a 3,97 milhões em 2024, próximo ao patamar pré-pandemia.
Na saúde suplementar, o número de consultas se manteve duas a três vezes maior, superando 10 milhões tanto em 2019 quanto em 2024.
Entre 2019 e 2024, o número de consultas por mil beneficiários variou de 37,96 (2020) a 51,01 (2019), confirmando maior disponibilidade de especialistas no setor privado.
“Em 2020, essa diferença chegou a 3,4 vezes; em 2024, ainda foi 2,6 vezes maior. Embora nem todas as consultas tenham como objetivo o rastreamento do câncer de pele, o maior volume de atendimentos aumenta a chance de identificar lesões suspeitas precocemente”, destacou a SBD.
“Como o exame clínico visual é a principal porta de entrada para o diagnóstico, essa diferença de acesso pode influenciar diretamente a evolução da doença, especialmente nos casos de melanoma”, completou.
🏥 Alta complexidade e desigualdade regional
A desigualdade de acesso também impacta diretamente o tratamento. Quando o diagnóstico não é precoce, os pacientes tendem a precisar de procedimentos mais invasivos e prolongados.
O levantamento mostra que municípios do interior enfrentam vazios assistenciais e longos deslocamentos para acessar:
🏥 Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon)
🏥 Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon)
Estados como:
• São Paulo (57 unidades – 15 Cacons e 42 Unacons)
• Minas Gerais (31 unidades – 3 Cacons e 28 Unacons)
• Rio Grande do Sul (28 unidades – 9 Cacons e 19 Unacons)
concentram a maior parte da estrutura especializada. Já Acre, Amazonas e Amapá contam com apenas um Unacon cada, sem Cacons.
“Essa desigualdade contribui para que pacientes nessas regiões recebam o diagnóstico em estágios mais avançados”, lamenta a SBD.
⏳ Tempo entre diagnóstico e tratamento
Entre 2014 e 2025, o número de casos tratados cresceu. No Sul e Sudeste, a maioria dos pacientes inicia o tratamento em até 30 dias. Já no Norte e Nordeste, a espera frequentemente ultrapassa 60 dias, elevando o risco de agravamento da doença.
“Onde a rede é mais densa, como no Sudeste, os fluxos são mais ágeis e os registros mais completos. Diante desses números, a SBD defende a adoção de medidas urgentes”, afirmou a entidade, citando a ampliação da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao protetor solar.
🧴 Protetor solar e políticas públicas
Em nota, a SBD informou que pretende sensibilizar o Congresso Nacional para incluir o filtro solar na lista de itens essenciais da Reforma Tributária.
“Com a redução de impostos, estima-se uma queda de custos, o que ampliaria o acesso da população ao produto”.
Os dados foram encaminhados a deputados e senadores como subsídio à regulamentação da Lei nº 14.758/2023, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer.
Por Marcelo Lemme










