O Banco Central do Brasil decretou nesta quarta-feira (21) a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank, por extensão da liquidação do Banco Master, determinada em novembro de 2025. A decisão foi oficializada por ato assinado pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, diante do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição.
Curta, siga e se inscreva nas nossas redes sociais:
Facebook | X | Instagram | YouTube | Bluesky
Sugira uma reportagem. Mande uma mensagem para o nosso WhatsApp.
Entre no canal do Revista Cariri no Telegram e veja as principais notícias do dia.
📉 Decisão do Banco Central
Segundo o ato do Banco Central, a medida foi adotada com base no “comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo de interesse, evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master” sobre a Will Financeira.
Com a liquidação, os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pela Will Financeira passam a estar cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até o limite de R$ 250 mil por CPF. O FGC não se manifestou até a publicação da reportagem.
💰 Pagamentos do FGC
O FGC iniciou nesta semana os pagamentos referentes aos CDBs do Banco Master, após dois meses de espera. O fundo deverá desembolsar cerca de R$ 40,6 bilhões para aproximadamente 800 mil investidores, no maior pagamento de garantia já realizado no país.
Até o momento:
• 600 mil pedidos já foram registrados
• 448 mil credores concluíram o processo de solicitação da garantia
👥 Liquidante e bloqueio de bens
O Banco Central nomeou como liquidante a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., a mesma responsável pela liquidação do Banco Master.
Também ficaram indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores da Will Financeira, incluindo:
• Daniel Vorcaro
• Armando Miguel Gallo Neto
• Felipe Wallace Simonsen
• Will Holding Financeira
• Master Holding Financeira
• 133 Investimentos e Participações
Além disso, tiveram os bens bloqueados os ex-administradores Felipe Felix Soares de Sousa e Ricardo Saad Neto.
🏦 Efeitos da liquidação
A liquidação da Will Financeira amplia os efeitos do processo iniciado contra o Banco Master, cuja liquidação extrajudicial foi decretada em 18 de novembro de 2025. A medida ocorre no contexto das ações do Banco Central para encerrar as atividades de instituições consideradas insolventes e preservar o funcionamento do sistema financeiro nacional.
A liquidação extrajudicial é adotada quando o BC conclui que a situação da instituição é irrecuperável. Nesse regime:
• O funcionamento da empresa é interrompido
• A instituição é retirada do sistema financeiro nacional
• Os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis
Isso difere da administração especial temporária, em que as atividades são mantidas, mesmo com a perda de mandato dos dirigentes.
🧾 O que é o Will Bank
Criado em 2017 e adquirido pelo Banco Master em 2024, o Will Bank encerrou o primeiro semestre com:
• R$ 14,4 bilhões em ativos
• Prejuízo de R$ 244,7 milhões
• Patrimônio líquido de cerca de R$ 300 milhões, segundo dados do Banco Central
Em setembro, a instituição tinha R$ 6,5 bilhões em depósitos a prazo e não mantinha depósitos à vista.
🔄 Tentativa de venda frustrada
Quando decretou a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, o Banco Central optou por preservar temporariamente a Will Financeira, avaliando que havia interessados na compra do negócio. Isso permitiria manter o banco sob regime de administração especial temporária por até 120 dias. No entanto, a venda não se concretizou.
💳 Impacto no sistema de pagamentos
Antes mesmo do anúncio oficial da liquidação, a bandeira Mastercard deixou de aceitar transações realizadas com cartões emitidos pelo Will Bank, após operações feitas por clientes não terem sido honradas pela instituição junto aos participantes do arranjo de pagamento.
A Mastercard também executou garantias relacionadas a dívidas do Will Bank e passou a deter participações relevantes na varejista Westwing e no BRB (Banco de Brasília).
Por Nicolas Uchoa










