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Ômicron: 4 perguntas ainda sem resposta sobre variante do coronavírus

A nova variante do coronavírus detectada na África do Sul, vem causando preocupação ao redor do mundo e deixando muitas perguntas em aberto

1 de dezembro de 2021
(Foto: VioletaStoimenova/iStock)

(Foto: VioletaStoimenova/iStock)

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Ela é mais transmíssivel? Quem já teve Covid pode ser reinfectado por ela? Ela causa sintomas mais graves? E, principalmente, as vacinas atuais vão funcionar contra ela?

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A ômicron, a nova variante do coronavírus detectada na África do Sul, vem causando preocupação ao redor do mundo e deixando muitas perguntas em aberto.

Ela é mais transmíssivel? Quem já teve Covid pode ser reinfectado por ela? Ela causa sintomas mais graves? E, principalmente, as vacinas atuais vão funcionar contra ela?

Por enquanto, ainda não temos todas as respostas. Ainda vai demorar algum tempo até que todos os detalhes dessa nova variante “altamente mutada” sejam conhecidos.

Mas já há pistas.

Na segunda-feira (29), a OMS (Organização Mundial da Saúde) disse que a ômicron representa um “risco muito alto” de surtos de infecções e provavelmente se espalhará ao redor do mundo, com “consequências graves” em alguns lugares.

Confira abaixo quatro perguntas ainda sem resposta sobre a ômicron.

1) A Ômicron é mais transmíssivel?
Ainda não há dados consolidados sobre a transmissibilidade da ômicron.

Mas cientistas temem que ela seja mais infecciosa do que outras variantes, embora mais estudos sejam necessários para comprovar isso.

A ômicron, originalmente conhecida como B.1.1.529, foi detectada na África do Sul e notificada à Organização Mundial da Saúde (OMS), em 24 de novembro.

Desde então, se espalhou para mais de uma dezena de países, muitos dos quais reimpuseram restrições de viagens para impedir a propagação da nova variante. O Brasil foi um deles.

Segundo a OMS, houve três picos de casos confirmados de Covid na África do Sul até agora, o último dos quais se deveu predominantemente à variante delta, que causou a terceira onda na Europa e matou milhares de pessoas.

Mas, nas últimas semanas, as infecções aumentaram substancialmente no país, coincidindo com a detecção da ômicron. O primeiro caso confirmado dessa nova variante foi de uma amostra coletada em 9 de novembro.

“Ainda não está claro se a ômicron é mais transmissível (por exemplo, mais facilmente transmitida de pessoa para pessoa) em comparação com outras variantes, incluindo a delta. O número de pessoas com diagnóstico positivo aumentou em áreas da África do Sul afetadas por esta variante, mas estudos epidemiológicos estão em andamento para entender se é por causa dela ou de outros fatores”, disse a OMS em comunicado publicado em seu site.

O brasileiro Tulio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta Epidêmica e Inovação da África do Sul, que descobriu a ômicron, escreveu no Twitter:

“Esta nova variante, B.1.1.529, parece se espalhar muito rápido! Em menos de 2 semanas agora domina todas as infecções após uma onda Delta devastadora na África do Sul”.

This new variant, B.1.1.529 seems to spread very quick! In less than 2 weeks now dominates all infections following a devastating Delta wave in South Africa (Blue new variant, now at 75% of last genomes and soon to reach 100%) pic.twitter.com/Z9mde45Qe0

— Tulio de Oliveira (@Tuliodna) November 25, 2021

2) Quem já pegou Covid pode ser reinfectado pela ômicron?
Também não se sabe, mas, segundo a OMS, “evidências preliminares sugerem que pode haver um risco aumentado de reinfecção com a ômicron, em comparação com outras variantes de preocupação, mas as informações são limitadas”.

Variante de preocupação é o termo usado pela OMS para descrever as variações do coronavírus que oferecem mais risco à saúde pública. Além da ômicron, as outras variantes de preocupação são alpha, beta, gamma (detectada inicialmente em Manaus) e delta.

3) A ômicron causa sintomas mais graves?
Em entrevista à BBC, Angelique Coetzee, a médica sul-africana que primeiro identificou a ômicron, disse que os pacientes infectados até o momento mostram “sintomas extremamente leves”.

Mas, segundo ela, mais tempo ainda é necessário para avaliar o efeito em pessoas vulneráveis.

“Tudo começou com um paciente com sintomas leves. Ele dizia estar com um cansaço extremo nos dois últimos dias e tinha dores no corpo e um pouco de dor de cabeça. Nem sequer uma dor de garganta, mas algo como uma garganta arranhando. Sem tosse, nem perda de olfato ou paladar”, afirmou ela.

No entanto, especialistas lembram que observações médicas como a de Coetzee são importantes, mas não servem como evidências epidemiológicas.

O infectologista Richard Lessells, da Universidade de KwaZulu-Natal em Durban, na África do Sul, ressalva que “as observações dos médicos em campo são sempre importantes e nos apoiamos muito nelas, mas precisamos ser cautelosos ao confiar em dados preliminares de que todos os casos com esta variante são leves”, escreveu ele no Twitter.

Just a note of caution – We know that getting a rapid understanding of disease severity with #Omicron (particularly in vaccinated individuals and re-infections) is absolutely critical, but it's just too early for reliable data

— Richard Lessells (@rjlessells) November 27, 2021

Segundo a OMS, ainda não está claro se a infecção pela ômicron causa doença mais grave em comparação com infecções por outras variantes.

“Dados preliminares sugerem que há taxas crescentes de hospitalização na África do Sul, mas isso pode ser devido ao aumento do número geral de pessoas que estão se infectando, e não devido a uma infecção específica pela ômicron”, informou o comunicado publicado em seu site.

“Atualmente, não há informações que sugiram que os sintomas associados à ômicron sejam diferentes daqueles de outras variantes. As infecções notificadas inicialmente foram entre estudantes universitários ? indivíduos mais jovens que tendem a ter uma doença mais branda ? mas compreender o nível de gravidade da variante ômicron demorará dias ou várias semanas”.

A OMS acrescentou ainda que “todas as variantes de COVID-19, incluindo a variante delta que é dominante em todo o mundo, podem causar doença grave ou morte”.

4) As vacinas que temos disponíveis hoje em dia vão funcionar contra a Ômicron?
Quando a equipe do brasileiro Tulio de Oliveira fez o anúncio sobre a nova variante, falou sobre a possibilidade de reinfecção e escape do sistema imunológico.

Isso porque a ômicron tem 50 mutações em relação ao coronavírus original, detectado em Wuhan na China.

Dessas 50 mutações, 32 estão na proteína S (spike ou espícula em inglês), “chave” que o vírus usa para entrar nas células.

Algumas dessas mutações existem em outras variantes, mas não todas juntas em uma única, dizem cientistas.

Isso acabou alimentando temores de que a ômicron possa ser “a pior (variante) já existente”.

“A ômicron tem um número sem precedentes de mutações na proteína spike, algumas das quais são preocupantes por seu impacto potencial na trajetória da pandemia”, disse a OMS.

Vale lembrar que a maioria das vacinas, como a AstraZeneca, Pfizer e Janssen, injetam a proteína spike no organismo humano para ensiná-lo a combater o coronavírus. Portanto, podem não ser ideais para a defesa contra a nova variante, que tem mutações justamente nessa proteína, dizem cientistas.

Fabricantes de vacinas anunciaram que já estão trabalhando em versões específicas contra a ômicron, caso os imunizantes existentes não sejam eficazes contra essa nova variante.

A Pfizer disse que poderia readaptar suas vacinas em até 100 dias, se necessário.

Apesar disso, uma declaração pessimista do CEO da Moderna sacudiu os mercados.

Em entrevista ao Financial Times, Stephane Bancel previu uma “queda material” na eficácia das vacinas existentes e descartou a expectativa de que novas versões podem estar disponíveis em breve.

Já a CoronaVac, a mais prevalente no Brasil, que é uma vacina de tipo tradicional, feita a partir do vírus inteiro inativado da Sars-CoV-2, poderia apresentar uma vantagem em relação às demais, já que ela ensina o sistema imune a combater o vírus inteiro, e não apenas a proteína spike.

Mas tudo isso é pura especulação, pois ainda faltam pesquisas conclusivas sobre a eficácia das vacinas atuais no combate à ômicron.

A OMS informou que “está trabalhando com parceiros técnicos para entender o impacto potencial dessa variante em nossas contramedidas existentes, incluindo vacinas”.

Segundo a agência, “as vacinas continuam sendo cruciais para reduzir doenças graves e morte, inclusive contra a variante circulante dominante, delta. As vacinas atuais permanecem eficazes contra doenças graves e morte”.

Diante de tantas perguntas, há pelo menos uma certeza: os testes PCR disponíveis atualmente podem detectar a infecção pela ômicron.

Já estudos estão em andamento para determinar se há algum impacto em outros tipos de testes, incluindo testes de detecção rápida de antígenos.

Enquanto essas respostas ainda não chegam, a OMS recomenda medidas individuais para reduzir a propagação da Covid-19: manter distância física de pelo menos 1 metro dos outros, usar máscara bem ajustada, abrir janelas para melhorar a ventilação; evitar espaços mal ventilados ou lotados; manter as mãos limpas; tossir ou espirrar no cotovelo ou tecido dobrado, e se vacinar.

‘Perigosa e precária’
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, disse que o surgimento da ômicron mostrou como a situação era “perigosa e precária”.

“A ômicron demonstra exatamente por que o mundo precisa de um novo acordo sobre pandemias”, disse ele no início de uma assembleia de ministros da saúde que deverá iniciar negociações sobre tal acordo.

“Nosso sistema atual desincentiva os países de alertar outros sobre ameaças que inevitavelmente pousarão em suas costas.”

O novo acordo global, previsto para maio de 2024, cobrirá questões como o compartilhamento de dados e sequências do genoma de vírus emergentes e de quaisquer vacinas potenciais derivadas de pesquisas.

Fonte: BBC News

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