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Apagão provoca corrida por água e filas em mercados e leva capital do Amapá à calamidade

Sem energia há quatro dias, Macapá pode ficar até 15 dias no escuro após incêndio em subestação

6 de novembro de 2020
Apagão provoca corrida por água e filas em mercados e leva capital do Amapá à calamidade

Procura por água em Macapá tem moradores retirando produto de um córrego (Foto: Jorge Júnior/Rede Amazônica)

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O Amapá entrou, nesta sexta-feira (6), no quarto dia de um apagão que atingiu a capital, Macapá, e outros 13 dos 16 municípios do estado. O cenário é de desabastecimento de água, por causa da falta de energia para as bombas no sistema, filas em supermercados e em caixas eletrônicos e perda de alimentos refrigerados. As cirurgias eletivas foram suspensas em todos os hospitais públicos.

A Prefeitura de Macapá decretou estado de calamidade pública por 30 dias e estendeu os horários de funcionamentos de postos de combustíveis para 24 horas. ​A medida visa dar mais agilidade para a tomada de ações de emergência e de apoio à população.

O apagão atinge uma região onde vive cerca de 90% da população estadual. Apenas Oiapoque, no extremo norte, e Laranjal do Jari, no extremo sul, têm eletricidade.

O MME (Ministério de Minas e Energia) afirmou na quinta-feira (5) que a retomada completa do fornecimento de energia elétrica no Amapá deve demorar ao menos 15 dias. Já nesta sexta, o ministro Bento Albuquerque disse que pretende restabelecer completamente o serviço de distribuição de energia elétrica no estado em um prazo de dez dias.

De acordo com moradores, muitas pessoas perderam alimentos, e a busca por água potável é grande nos mercados, mas muitos comércios locais estão fechados devido à falta de geradores de energia.

A técnica em saúde bucal Adriana Xavier, 34, relata que próximo de sua casa, no bairro Renascer, na zona norte da capital, não há onde comprar comida e água e por isso é preciso recorrer a outros locais.

“Os comércios com geradores estão lotados. Perto de casa não tem onde comprar comida e água. Muitas pessoas perderam alimentos e donos de mercados vendem a preços de custo para não perder. A situação está ficando pior a cada dia”, afirma.

As aglomerações também ocorrem em postos de gasolina e em uma agência do Banco do Brasil, que tem um gerador de energia elétrica que permite o funcionamento de caixas eletrônicos.

Muitos moradores recorreram ao Aeroporto de Macapá para conseguir carregar seus telefones celulares. Shoppings na capital também estão sendo usados para mesma finalidade. Alguns supermercados com geradores cobram R$ 10 para carregar os aparelhos.

A Infraero no Amapá informou que os voos no estado não foram afetados por causa da existência de geradores de energia.

Nos postos de combustíveis, há grandes filas para abastecer os carros, que têm sido usados pelos moradores para comprar alimentos e águas em bairros distantes e também para o carregamento de telefones celulares. Muitos descem dos carros e vão até as lojas de conveniência para usar tomadas e comprar produtos, como água potável.​

“Tive que sair de casa para conseguir carregar meu telefone. Depois de uma hora na fila, carreguei em uma tomada do aeroporto. A todo momento várias pessoas vêm aqui para usar as tomadas e conseguir ao menos um pouco de comunicação”, diz a auxiliar administrativo Jordana Cruz, 32.

“A maioria dos comércios está com filas para comprar água potável, as pessoas têm comprado galões. A busca por água está grande e a falta é constante”, afirma Israell Augusto, 27, morador do bairro Universidade, na zona sul de Macapá.

“Está um caos total em todos os setores da cidade. Estamos sem luz nem água desde terça à noite. Também não temos mais como guardar alimentos perecíveis em casa e está faltando gelo na cidade. A única fábrica que vende tem filas enormes”, relatou a professora Naira Queiroz, 33.

Segundo ela, o apagão, que entrou no quarto dia nesta sexta (6) também provoca a falta de velas, bebidas em geral e pão, já que a maioria das padarias está fechada desde quarta (4).

Tentando escapar da falta de energia, de água e do calor da região, milhares de pessoas formam fila também nas portas de motéis e hotéis que possuem gerador.

Professora de jornalismo na Ufap (Universidade Federal do Amapá), Roberta Scheibe, 38, relata que a espera para abastecer o carro chega a cinco horas. “Meu marido saiu de madrugada e foi até um posto mais distante pra abastecer e ficou 30 minutos na fila.”

Como ela tem poço artesiano em casa e mora apenas com o marido, diz que conseguiu racionar o consumo de água. Por isso, tem cedido o banheiro a amigos e familiares para que eles possam tomar banho. O prejuízo, de toda forma, foi inevitável. “Substituímos a água por álcool na limpeza geral, mas tudo que tinha na geladeira se perdeu. Fico preocupada com as famílias mais carentes, o que devem estar passando.”

Outros moradores que têm poço nas residências também compartilham a água com os vizinhos que não têm.

De acordo com a Companhia de Água e Esgoto do Amapá (Caesa), sem eletricidade não há como ligar a bomba para abastecimento e o restabelecimento do serviço segue sem previsão.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ingressou na manhã desta sexta-feira (6) com uma ação popular na Justiça Federal do Amapá na qual pede que municípios, estado e governo federal usem caminhões-pipa para distribuir água para a população.

Fonte: Folhapress

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