Um copo “só para brindar” pode parecer inofensivo, mas uma revisão liderada por pesquisadores da Florida Atlantic University (FAU) reforça que até o consumo moderado de álcool aparece associado a maior risco de vários tipos de câncer. A frequência e a quantidade dos brindes fazem diferença nessa conta, segundo o levantamento.
Curta, siga e se inscreva nas nossas redes sociais:
Facebook | X | Instagram | YouTube | Bluesky
Sugira uma reportagem. Mande uma mensagem para o nosso WhatsApp.
Entre no canal do Revista Cariri no Telegram e veja as principais notícias do dia.
🔬 O que o estudo analisou
O trabalho, conduzido por cientistas da Charles E. Schmidt College of Medicine, analisou 62 estudos com amostras que variaram de 80 a quase 100 milhões de participantes. A revisão encontrou associações mais consistentes entre o consumo de álcool e tumores como:
🩺 mama
🩺 colorretal
🩺 fígado
🩺 cavidade oral
🩺 laringe
🩺 esôfago
🩺 estômago
A revisão foi publicada na revista científica Cancer Epidemiology.
📊 Frequência importa, não só a quantidade
A revisão conclui que não é apenas o volume total ingerido que importa: beber com mais frequência também aparece ligado a maior risco em diferentes desfechos oncológicos.
Um dos recados centrais, segundo os autores, é que existe um padrão de risco que cresce conforme aumenta o consumo. A pesquisadora Lea Sacca, da FAU, resume:
“Em 50 estudos analisados em nossa revisão, um maior consumo de álcool elevou de forma consistente o risco de câncer, com o risco aumentando à medida que a ingestão cresce. Fatores como o tipo de bebida alcoólica, a idade da primeira exposição, gênero, raça, tabagismo, histórico familiar e genética influenciam esse risco. Alguns grupos — como idosos, pessoas em situação socioeconômica desfavorável e indivíduos com comorbidades — são especialmente vulneráveis. O consumo pesado, diário ou episódico excessivo está fortemente associado a múltiplos tipos de câncer, o que reforça a importância da moderação e do seguimento das diretrizes de prevenção do câncer.”
🧬 Por que o álcool pode causar câncer?
Os autores listam mecanismos biológicos já discutidos na literatura para explicar por que o álcool pode aumentar o risco oncológico. Segundo Lewis S. Nelson, coautor, reitor e chefe de assuntos de saúde da Schmidt College of Medicine:
“Do ponto de vista biológico, o álcool pode danificar o DNA por meio do acetaldeído, alterar os níveis hormonais, desencadear estresse oxidativo, suprimir o sistema imunológico e aumentar a absorção de agentes carcinogênicos. Esses efeitos são potencializados por condições de saúde pré-existentes, escolhas de estilo de vida e predisposições genéticas, fatores que podem acelerar o desenvolvimento do câncer.”
⚖️ Grupos mais vulneráveis
Os pesquisadores destacam que o risco não é uniforme entre todos os indivíduos. A revisão aponta maior vulnerabilidade — mesmo com consumo semelhante — em:
👵 idosos
⚖️ pessoas em desvantagem socioeconômica
🩺 indivíduos com obesidade ou diabetes
Além disso, fatores como tabagismo podem amplificar o risco associado ao álcool, com variações conforme sexo e padrão de consumo. Outros elementos frequentemente envolvidos nos estudos incluem nível de atividade física, dieta e algumas infecções.
🍺 Tipo de bebida e diferenças por sexo
Em parte dos estudos, o tipo de bebida alcoólica apareceu associado a diferenças no risco para determinados cânceres. A revisão cita que cerveja ou vinho branco foram ligados a maior risco em alguns desfechos, enquanto destilados não apresentaram o mesmo padrão em certas análises — ponto tratado com cautela pelos autores.
Também foram observadas diferenças entre homens e mulheres: beber com frequência se associou a maior risco em homens, enquanto episódios de consumo pesado episódico se relacionaram a maior risco em mulheres.
🧪 Metodologia: forças e limites
A revisão sistemática reuniu um grande volume de evidências e permitiu comparar padrões de consumo, além de discutir subgrupos e comorbidades.
A principal ressalva é que a maior parte das evidências vem de estudos observacionais, com consumo frequentemente autorreferido. Isso dificulta isolar totalmente o efeito do álcool de outros fatores associados, como tabagismo e dieta, e impede conclusões definitivas de causa e efeito.
📝 O que fazer com essa informação?
O estudo reforça que moderação não é uma blindagem automática. Para algumas pessoas, o risco pode ser maior devido ao conjunto de fatores individuais, como saúde, hábitos e contexto social.
Na prática, os autores defendem que a evidência deve embasar decisões mais informadas e políticas públicas que deixem mais claro o vínculo entre álcool e câncer.
Por Bruno Rakowsky










