Os próximos meses devem registrar chuvas próximas ou acima da média em grande parte do Ceará, segundo o mais recente boletim agroclimatológico divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A projeção abrange o centro-norte do Nordeste e o centro-leste cearense, apontando precipitações dentro ou acima do padrão histórico entre novembro de 2025 e janeiro de 2026.
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🌦️ Médias previstas para dezembro e janeiro
A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) reforça as médias históricas para o período:
• Dezembro: 31,6 mm
• Janeiro: 98,7 mm
O Inmet também prevê temperaturas acima da média em todo o Nordeste, inclusive no Ceará, com anomalias entre 0,5°C e 1°C, embora com menor intensidade ao longo da faixa leste.
Ao mesmo tempo, o boletim alerta para déficit hídrico significativo em grande parte do Nordeste — incluindo o Ceará.
🌧️ O que é a pré-estação chuvosa
Dezembro e janeiro marcam a chamada pré-estação chuvosa, período de chuvas ainda irregulares, mas mais frequentes.
Esse intervalo antecede a quadra chuvosa oficial (fevereiro a maio) e costuma ser influenciado por sistemas meteorológicos como:
• Vórtices ciclônicos de altos níveis
• Frentes frias
• Cavados e áreas de instabilidade de menor escala
A pré-estação pode amenizar o calor e iniciar a recuperação da umidade do solo, mas não garante recarga expressiva de reservatórios.
🌊 Fenômenos climáticos que influenciam o período
O cenário previsto até janeiro de 2026 é influenciado por variáveis oceânicas:
⭐ Atlântico
• Atlântico Sul mais quente + Atlântico Norte mais frio → Dipolo Negativo, favorece chuva.
• Situação inversa → Dipolo Positivo, desfavorece chuva.
• Atualmente: oceano neutro, mas com anomalias positivas no Norte → ZCIT mais ao norte, prejudicando a costa cearense.
⭐ Pacífico
• Resfriamento das águas na região Niño 3.4 (-0,5°C) → condição inicial de La Niña, com 62% de probabilidade para o trimestre NDJ.
• La Niña tende a favorecer chuvas no Nordeste, mas depende da interação com o Atlântico.
🌱 Impactos na agricultura cearense
Apesar da tendência de chuvas um pouco melhores, o armazenamento hídrico do solo seguirá baixo em grande parte do Nordeste.
Em outubro:
• Grande parte do interior registrou menos de 30 mm;
• Áreas do centro-sul do Ceará ficaram com menos de 5% de água no solo.
Com isso, a semeadura da primeira safra sem irrigação fica comprometida.
O Inmet alerta que o conjunto:
• Calor elevado
• Déficit hídrico
• Chuvas irregulares pode limitar o desenvolvimento de culturas de sequeiro, exigindo manejo hídrico rigoroso.
🔥 Ceará volta a registrar seca em 100% do território
O Monitor de Secas registrou, em novembro, todo o território cearense sob condição de seca relativa, algo que não ocorria desde janeiro de 2024.
Segundo a Funceme, a baixa pluviometria do segundo semestre foi determinante para a intensificação do quadro.
O Ceará apresenta hoje:
• 63,34% em Seca Moderada — risco de danos à agricultura e redução de reservatórios;
• 36,65% em Seca Fraca, com concentração maior no norte do estado, incluindo Fortaleza e Região Metropolitana.
A entidade classifica o momento como “crítico do ponto de vista hídrico e ambiental”.
Por Fernando Átila










